O colombiano Jacobo Botero tinha 11 anos quando veio morar com o toureiro português Rui Fernandes, que ficou como seu tutor. Jacobo Botero estaria hoje a estudar para ser engenheiro ou doutor na Colômbia, se conhecer o toureiro Rui Fernandes-quando tinha dez anos-não lhe tivesse trocado as voltas ao trilho programado pelos pais.Não seria de esperar que o encontro entre uma criança sul-americana e um adulto português-que tinha a cara impressa em cartazes espalhados por todas as cidades colombianas onde ia actuar em 2006-resultasse numa mudança de vida para o mais novo, mas os caminhos não são todos direitos. Sete anos passados, na última quinta feira, Jacobo estreou-se na Praça do Campo Pequeno, em Lisboa, cavalgando ao lado de um cartel que incluía Luís Roxinol, Sónia Matias, Ana Baptista e Gilberto Filipe. Nunca tinha visto um português tourear e quando vi os cartazes a anunciar a corrida do cavaleiro Rui Fernandes em Cali pedi o bilhete de prenda de Natal aos meus pais. Consegui conhece-lo e tirar uma fotografia com ele .A minha avó é que era aficionada e quando me levou a uma corrida do César Rincón apanhei a orelha do touro. A partir daí, disse ao meu pai que queria ser toureiro, não queria ser astronauta nem policia, como as crianças da minha idade recorda hoje Jacobo, com 18 anos, o início do encantamento num país onde não havia nem há uma grande tradição tauromáquica. Ninguém deveria nunca duvidar da presença, mesmo que venha de uma boca de dez anos, porque meses depois do encontro na Colômbia ,Jacobo apareceu na Charneca de Caparica, em Almada a quase oito quilómetros de distancia do país natal com a avó num lado e a mala de viagem no outro, para passar uma semana na herdade de Rui Fernandes. Uma semana que com poucas idas e voltas se prolongou até hoje . O Rui tinha-me convidado, quando nos conhecemos na Colômbia para visitar a quinta dele no verão e disse que ficava á minha espera.
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